bmk

blog m kiwaïda

Tag - architecture

Fil des billets

samedi 21 septembre 2019

℘øé⊥ї¢◎ ღ◎ḓεяᾔїṧღ☺

al7.jpg


Álvaro Joaquim de Melo Siza Vieira nasceu a 25 de junho de 1933 na cidade de Matosinhos, na costa nortenha portuguesa. Na Região Norte do país, os seus pais não podiam imaginar que a escolha do nome do filho era a previsão de um futuro de sucesso e reconhecimento internacional para ele. De origem nórdica, o nome “Álvaro”, significa “Gênio Protetor”. A sua educação decorreu naturalmente, no seio da zona portuense, onde estudou e onde viria a lecionar. Tudo isto na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, estando como estudante de 1949 a 1955, e como professor assistente de construção de 1966 a 1969, e em 1976. Antes de se licenciar, começou a trabalhar em 1954, dando forma e vida a quatro habitações em Matosinhos, sua cidade-natal. Porém, foi como artista que se foi firmando. Tomando como referências o orgânico norte-americano Frank Lloyd Wright, o hierárquico austríaco Adolf Loos e o também naturalista finlandês Alvar Aalto, Álvaro Siza Vieira descobriu um caminho único e identitário nas lides da conceção e da construção. Assumindo uma perspetiva modernista e vanguardista, constatável nas suas formas e sentidos arquitetónicos, não se esqueceu das tradições portuguesas e dedicou-lhes especial atenção, em especial no que toca à sua minúcia e rigor. Casando-se com Maria Antónia Marinho Leite, viria a ter com ela dois filhos, Joana Marinho Leite Siza Vieira e o também artista Álvaro Leite Siza Vieira. A precoce morte da sua esposa, no ano de 1973, afetaria também a trajetória da sua carreira, levando-o a colaborar e a trabalhar mais vezes no estrangeiro. O seu registo arquitetónico tornou-se conhecido como “modernismo poético”, colaborando em ensaios onde exprimiu essa ideologia muito própria, e onde frisou também a influência do mexicano Luis Barragán naquilo que é o virtuosismo conceptual e formal deste. Recentemente, Siza Vieira envolveu-se na reabilitação arqueológica de vários monumentos da Cidade Velha, na ilha cabo-verdiana de Cabo Verde. Precedendo este trabalho, está a renovação da fachada e do centro de visitas de Alhambra, complexo com fortes influências islâmicas, em Granada.



O jovem Álvaro Siza Vieira, então com 26 anos, foi chamado para realizar um projeto de piscinas de águas salgadas na orla de Leça da Palmeira, em Matosinhos. O complexo, concluído em 1966, consiste em vestiários, um café e duas piscinas- uma para adultos e outra para crianças - e tornou-se um dos seus mais reconhecidos projetos, classificado como Monumento Nacional de Portugal em 2011. O detalhe poético da escada que coincide com a linha do horizonte é um dos "segredos" da Casa de Chá da Boa Nova. Antes de entrar há uma visão panorâmica, a última. No interior ele quer mostrar momento selecionados, e, lá dentro, quer criar várias atmosferas. É uma história da infância: Quando era pequeno teve pneumonia, teve de ir para o campo e tinha sempre a mesma vista - bonita, mas sempre a mesma - e ao fim de uns dias odiava-a. Por isso, não é o tipo de arquiteto que nos mostre toda a paisagem, antes seleciona.


L’architecte n’impose pas violemment sa personnalité dans ses réalisations.

Il exprime également que c’est la structure qui prévaut et que, attrapés par elle, nous en percevons les accidents

La figure de Siza disparaît, virtuellement et réellement.


Ses croquis sont presque aussi célèbres que ses constructions. Des lignes noires à main levée, une porte travaillée en haut d’un escalier, une silhouette en mouvement…Alvaro Siza aurait pu devenir peintre ou sculpteur. Après des études à l’école des Beaux-Arts de Porto, il s’est finalement tourné vers l’architecture « pour ne pas contrarier son père », peut-être aussi pour ne pas avoir à choisir. « Mes croquis me permettent d’émettre des hypothèses, de poser toutes mes idées, même les plus folles, sur le papier avant de revenir dessus ou même de les abandonner, explique-t-il. Ils ne sont que le commencement. »

Álvaro Siza est à l’origine du régionalisme critique. En effet, il se nourrit de l’architecture et des savoir-faire locaux ainsi que de l’artisanat portugais pour concevoir ses projets. Ensuite, il les combine à une architecture moderne, aux lignes épurées, dont le blanc est la couleur dominante. Le dessin et les croquis qu’il réalise sur site ou à l’atelier sont primordiaux dans son approche du projet. Il porte un regard attentif à l’analyse du site et à la topographie du lieu.

Sou contra essa ideia de especialização. Gosto de diversificar o meu trabalho, quero e tenho feito um pouco de tudo. Não se pode fazer bem um bairro social ou um museu sem ter feito casas. A arquitetura é só uma. As mãos que desenham e as mãos que constroem, seja o que for, são sempre as mesmas.



Antes de haver legislação que determinasse tudo, os arquitetos usavam outras medidas. Na Piscina das Marés, Álvaro Siza usou a sua altura - pouco mais de 1,60 cm - como referência. A tipologia do edifício é quase a de um estábulo, em que os cavalos entram por um lado e saem do outro. Não espanta a inspiração. "Álvaro Siza adora cavalos, quando está aborrecido desenha-os", refere o investigador. Siza propôs usar a madeira que ficava para trás durante a recuperação da baixa do Porto, em que também esteve envolvido. Fica negra, depois de "mergulhada numa substância com petróleo". As divisórias não tocam no chão. "A água pode entrar no inverno sem danificar as madeiras". O balneário feminino tem um poço de luz que também impede os olhos de se habituarem à escuridão, criando assim maior intimidade.







De origem nórdica, o nome “Álvaro”, significa “Gênio Protetor”.


Também é o nome do meu pai. È uma das razões pelas quais, mais jovem, estudei essa arquitetura, também, porque meu pai era construtor de casas e chefe de vários estaleiros da obra, na França. Cresci com essa noção de construção e destruição, de transformação, de vidas inacabadas e de obras, de planos arquitetônicos e intuições de fabricação de objetos e adaptações locais e também deste imaginário, da casa de nascimento portuguesa, o do berço Português. A língua portuguesa que imagino e não falo, é a de projectos, sonhos, que posso incorporar nos meus desenhos, pois as artes plásticas, belas artes, foram uma formação que escolhi. Um dia vi os desenhos de meu pai, ingênuos e coloridos de seus barcos portugueses da travessia migratória; também vi essa cor, o ouro, todas essas expressões em alguns desenhos. Quem já viu os desenhos de seu pai uma vez se lembra toda a sua vida, que um homem é capaz de expressão visual, mesmo se ele não encontre as palavras para sua vida, para tomar forma, para suas filhas. Minha mãe também tem um nome original, que eu amo, e desses nomes, minha vida artística me pareceu, na França, sempre exótica e original.

Calmos, elegâncias modestas, não-espectaculares

Luz

Branco

Não é fácil expressar essa cultura para os franceses. As minhas origens em diferentes países, mas do Sul da Europa, desde o berço da Europa, desde a sua construção histórica e guerras, desde a sua intercriação e colonização, desde as suas ricas travessias e descobertas e de sucessivas empobreções, lembram-me de mil imagens e memórias, aprendizagens e tecelagens que os franceses não sabem, mas muito mais todos aqueles que se abrem para o mundo como um conhecimento nunca total, nunca determinado, nunca fechado, sempre em diálogo, sempre incompreendido, paradoxal e sensível. Não sei de nada e sei um pouco. Posso construir um pequeno castelo na areia, com um molde, porque sei de onde vem este molde. Posso esmagar este castelo ou multiplicá-lo, posso apenas fechar meus olhos e sentir a espuma do mar acariciando meus pés. O sonho da Sónia...

Sônia: Significa "sábia", ou "sabedoria" Sônia é um nome feminino que se originou a partir do russo Sonja, que por sua vez é uma variação (diminutivo) de Sofia. Sonja é um nome de origem escandinava mas outros também indicam que poderá ser originário da Rússia e ter origens eslavas. Sonja é uma variante do nome Sônia, bem mais comum em português. A raiz etimológica deste nome provém do termo grego sophia, que significa literalmente "sabedoria" ou "sabedoria divina".  Este último é o original grego partir do qual todos esses nomes, incluindo Sonja, vão buscar o seu significado, que é "sabedoria", ou mesmo "ciência". No russo Sonja é considerado um diminutivo de Sofia. Existe outra teoria que relaciona o surgimento do nome Sônia com o hindu sonāa, que por sua vez se originou do sânscrito suvarṇa, que significaria "dourado" ou "cor dourada". No Brasil, Sônia é um nome bastante popular, assim como a variante Sonya. Normalmente, os pais ​escolhem este nome para as suas filhas para passar uma ideia de sabedoria e inteligência através do nome.


1916 - Peinture de Robert Delaunay (le copain de Sonia Delaunay, célèbre peintre aussi, française) : Mulher portuguesa
Je ne connaissais pas cette peinture avant d'écrire cet article, comment arriver à ce tableau ?

Et bien, j'écris sur l'art.

Delaunay executou esta pintura, também conhecida como Mulher Alta Portuguesa, para além de várias naturezas mortas e outras cenas de vida ibérica, na época trágica da I Guerra Mundial. Acompanhado da esposa, a também artista Sonia Delaunay, e do filho de ambos, Charles, Delaunay estava de férias em Espanha quando a guerra deflagrou, tendo depois seguido para Portugal onde alugaram uma moradia com o seu amigo artista Eduardo Viana. O ritmo lento da vida, afastado da violência longínqua das trincheiras, atraiu a sensibilidade do pintor.

Ce tableau pourrait très bien être une représentation d'aujourd'hui, en 2019, de Sonia dans son atelier (celle qui écrit cet article, entre autres ;.) Cette découverte m'enchante, et rien ne m'avait guidé sur le chemin de cette peinture, si ce n'est la recherche des rêves et des prénoms portugais dont les étymologies refroidissent et se trouvent situées dans le Nord, les pays plus froids. Il y a bien là des voyages traversés... et des réchauffements climatiques...

vendredi 26 juin 2015

ᗩᖇᑕᖺᓰ♈ᙓᙅ♈ᘮᖇᙓᔕ Ⅴᓮᐯᗩﬡ☂ᙓᔕ

Nous étions devenus des bêtes sur des sellettes. Soit que nous étions trop noirs, trop étrangers, trop lettrés, trop intelligents, trop pauvres, sans sièges, mais nomades, volatiles, légers et éternellement sales parce que salis par des mécréants. Nous devenions des familles d'accueil, des créatifs inventant des abris en cartons, des petits morceaux de fromage ou de saucisson, de graines, nous fêtions dans les îlots les bonnes actions et personne ne pouvait les connaître, car il faut pour cela être sur des sellettes, et nous vivions dans un monde où les sièges étaient posés sur le thème du jeu des chaises musicales. Mais sans le savoir, tous ces gardeurs de sièges, deviendraient des sans abris. Et un jour, peut-être, une famille d'accueil, aura une petite place à offrir, des petits morceaux de fromage ou de saucisson, de graines, parmi son troupeau informe, amaigri, borgne, sans queue, déplumé… Afin d'oublier ce que ces tribunaux de gardeurs de sièges avaient inventé comme mot, la sellette, même si son usage fut aboli après la Révolution, mais encore bien présent, dans notre pays.

Nous étions fort de ces expériences, nous avions construit des sièges partout, des assises pour chacun, des lieux pour mieux sauter, grimper, voir, voler, se percher, tant de sellettes, tant de possibilités. De nouveaux mots, de nouvelles définitions, de nouvelles amitiés. Une épaule devenait la sellette idéale, sur qui compter, un ventre, une main, le souffle chaud d'un mot doux, le creux d'un arbre, une forêt dans la nuit. Et la liberté de partir loin, sans être abandonné malgré tout, sans devoir rendre compte de sa liberté. La confiance.


confiance_1.jpg

Photographies © Sonia Marques